“O resíduo deve ser visto como um recurso”: a urgência da compostagem e da consciência ambiental

Por: Semanário de Felgueiras

Num tempo em que as questões climáticas, a gestão de resíduos e a sustentabilidade ocupam o centro das preocupações globais, há gestos simples do quotidiano que podem fazer diferença. Entre eles, a compostagem doméstica surge como uma solução acessível, natural e eficaz para reduzir o impacto ambiental de cada cidadão.

Metade dos resíduos produzidos diariamente é orgânica — restos de alimentos, cascas de fruta ou borras de café — e poderia ser transformada em composto para fertilizar solos, em vez de ir para aterros ou ser incinerada, “a compostagem é uma respostas ao tratamento orgânicos amiga do amiga do ambiente e uma mais valia sustentável para a nutrição das plantas de uma forma natural”, afirma a engenheira agrónoma Filipa Teixeira, especialista na área.

O processo de compostagem “é 100% natural onde os microrganismos na presença de ar e água fazem a sua decompõem lentamente os resíduos orgânicos em composto. É um processo muito usual em zonas mais rurais para enriquecimento dos solos.”, afirma especialista.

Apesar de simples, a prática enfrenta obstáculos em meio urbano. A falta de espaço, de tempo ou até mesmo de conhecimento faz com que muitos descartem os resíduos no contentor indiferenciado, aumentando a pressão sobre aterros e incineradores, “em meio urbano, muitas vezes esta prática não é uma prioridade, optando-se pela forma mais cómoda de nos livrar destes resíduos”, sublinha Filipa.

No entanto, existem soluções adaptadas a apartamentos e pequenas varandas, tornando a compostagem viável para todos, “quem tiver possibilidade de fazer a compostagem caseira em jardim, perfeito! Caso não tenha opção, aconselho a sua separação do contentor da fração orgânica para ser valorizado industrialmente.”

Mais do que uma prática doméstica, a compostagem é também um exercício de consciência ambiental. Cada resíduo aproveitado é um passo em direção à economia circular, “se podemos aproveitar um resíduo como recurso, porque desperdiça-lo? O resíduo deve ser visto como um recurso”, reforça a especialista. Uma tonelada de resíduos orgânicos pode gerar centenas de toneladas de composto, beneficiando solos e jardins.

Apesar de natural, a compostagem exige atenção. A escolha do local, do tipo de compostor e dos resíduos a colocar são determinantes, “embora seja um processo simples, há regras fundamentais que têm de ser executadas para que o processo ocorra dentro da normalidade”, explica Filipa, destacando a importância de informação e prática antes de começar.

Para iniciantes, a recomendação é conhecer a teoria e experimentar de forma gradual.

Workshops, leituras e pequenas experiências práticas ajudam a compreender todo o processo e evitar erros comuns, como excesso de humidade ou resíduos inadequados, “depois de conhecer todo o processo prático e teórico, colocar as mãos na massa”, aconselha.

A consciência ambiental, porém, vai além da compostagem. É uma postura de vida que influencia escolhas de consumo, hábitos alimentares e decisões quotidianas. Filipa partilha, “Tento sempre no meu subconsciente verificar a pegada ecológica de cada produto que compro… opto por embalagens familiares, prefiro produtos nacionais, separo o lixo… o planeta é de todos, temos o dever de o cuidar porque depois de nós outros hóspedes virão.”

Para os cidadãos, a mensagem é clara: pequenas ações podem ter grande impacto.

Reduzir o desperdício, separar resíduos, privilegiar produtos locais ou da época e adotar práticas simples de compostagem transforma não só ambiente, mas também a perceção sobre os recursos que produzimos.

“Sejam cidadãos com consciência ambiental! O planeta é de todos!”, conclui a especialista, reforçando que cada gesto conta e que a sustentabilidade começa em casa.

Com iniciativas acessíveis a todos e informação clara, a compostagem doméstica deixa de ser um conceito abstrato e passa a integrar a vida quotidiana, mostrando que cada cidadão pode assumir um papel na preservação do planeta e na valorização dos recursos.

Fonte:  Semanário de Felgueiras