Por: Onda Digital
A moda sustentável tem ganhado espaço na Amazônia ao unir geração de renda, valorização cultural e preservação ambiental. A proposta busca reduzir impactos ao longo da cadeia produtiva, da escolha da matéria-prima ao processo de fabricação, priorizando fibras naturais, técnicas tradicionais e uso consciente dos recursos.
Na região amazônica, iniciativas utilizam matérias-primas como curauá, juta e algodão orgânico, além de corantes naturais extraídos de espécies como urucum e jenipapo. De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a bioeconomia e os produtos da sociobiodiversidade representam uma das principais estratégias de desenvolvimento sustentável para a Região Norte, integrando comunidades ribeirinhas, indígenas e agricultores familiares às cadeias de valor.
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima destaca que o fortalecimento da bioeconomia é fundamental para conciliar a conservação da floresta com a geração de emprego e renda. A pasta aponta que atividades sustentáveis baseadas em recursos florestais não madeireiros, como fibras e extratos vegetais, ajudam a reduzir o desmatamento ao criar alternativas econômicas compatíveis com a manutenção da floresta em pé.
Além disso, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) reforça que o manejo sustentável e o uso legal de recursos naturais são essenciais para evitar a exploração predatória e garantir a rastreabilidade das cadeias produtivas.
Especialistas apontam que, ao combinar inovação, tradição e responsabilidade ambiental, a moda sustentável na Amazônia pode consolidar a região como referência internacional em design ecológico e bioeconomia, fortalecendo o protagonismo da região nas agendas globais de sustentabilidade.
Desafios
A moda sustentável tem avançado no Brasil, impulsionada por mudanças nos processos produtivos, desafios econômicos e pela transformação no perfil do consumidor. Para a consultora de moda e imagem pessoal Jessica Zany, três fatores principais explicam a adaptação das marcas ao novo cenário.
O primeiro é a escolha de materiais mais responsáveis, como tecidos reciclados e matérias-primas de baixo impacto ambiental. Segundo ela, a substituição de insumos tradicionais por alternativas sustentáveis é um dos pilares para reduzir os danos ao meio ambiente ao longo da cadeia produtiva.
O segundo ponto envolve os desafios enfrentados pelo setor. “Todo o processo é mais caro para a empresa, para a loja e para a marca”, afirma, destacando que o custo elevado ainda limita a expansão do segmento.
Já em relação ao comportamento do consumidor, a consultora observa crescimento na disposição para pagar mais por peças produzidas com critérios socioambientais. Ela ressalta que o público jovem tem papel central nesse movimento, por ser mais informado e consciente sobre os impactos ambientais da indústria da moda. Esse grupo tende a priorizar peças de maior durabilidade e a reutilização de roupas, transformando e ressignificando itens que poderiam ser descartados.
Zany também aponta que a sustentabilidade pode ser aplicada no consumo individual. Na área de consultoria de imagem, ela incentiva clientes a comprarem menos e utilizarem melhor o que já possuem no guarda-roupa. A proposta é estimular novas combinações e releituras de peças existentes, reduzindo o consumo excessivo e promovendo um uso mais consciente da moda.
Fonte: Onda Digital
Foto: Divulgação/Secretaria de Cultura e Economia Criativa



























